O desafio desconstrói a vida onde estamos e nos convida para um outro lugar

Por Jader Amaral

Nada desaparece até nos ensinar

o que temos de aprender.

Pena Chödrön

Você já percebeu que a maioria dos nossos desafios são os mesmos? Apenas trocam de roupa! É uma vida em círculos… para receber a mudança que muito desejamos precisamos aprender, pois todo o desafio desconstrói a vida que estamos e nos convida para um outro lugar. Pra isso, precisamos revisar a nossa base de valores e aprender! Assim, saímos do círculo e entramos e um movimento espiral, ou seja, sempre temos desafios mas o encontro acontece em outras condições.

Outras condições, significa, com outros recursos, outras visões, sentimentos e um sistema de apoio (grupo de pessoas) mais forte, maduro e refinado. Esse é o resultado da aprendizagem. A maioria das aprendizagens exige dedicação, paciência, tolerância, tempo e verdade. É um convite para abandonarmos hábitos, pensamentos e ações que não nos apoiam em direção aos nossos desejos.

Respire fundo, pare, traga a autoconexão e a calma. Passos muito importantes para termos clareza de onde estamos e para onde queremos ir. Passos que evitam entrar em um “loop de drenagem do cérebro”. A falta de respostas, o estresse do dia a dia, a autocobrança, a falta de autocuidado e a complexidade das tarefas e desafios reduzem a nossa capacidade de pensar e sentir de formas positivas. Provocam um atordoamento e caos, frustração, confusão, impaciência e uma comunicação ruim e grosseira que impactam negativamente na tomada de decisões, nas ações e principalmente nas relações.

Não existem receitas. Existem práticas que apoiam, mas precisamos respeitar o nosso ritmo e as nossas características. Quando vivemos um desafio, um problema, uma situação criamos um contexto muito íntimo da qual apenas nós acessamos, então, cuidado com os comandos “Faça isso, ou faça aquilo”; “Vamos, você consegue!”; “Vai lá e faz” e muitas outras expressões que ouvimos no dia a dia.

Experimente, seja um curioso, pratique a auto-observação, reflita e decida. Funciona pra mim? Então, vamos multiplicar essas ações! Não funciona? Então vamos aprender a dizer não e agradecer!

É fundamental aceitar o convite do desafio e seguir o caminho! Desejo uma ótima experiência nessa travessia! Vamos?

A sedução da demora – performance abaixo do esperado.

Por Jader Amaral

Algumas vezes definimos objetivos muito elevados e feitos sem o benefício do pensamento crítico ou do exame verdadeiro de sua possibilidade. A “perfeição” racionaliza que você precisa estender e pressionar a si mesmo, portanto você define objetivos que são extremos, irreais, inatingíveis e sem a menor margem de erro. Uma avaliação completa do que requer para atingi-los não é feita e você fica condenado a completar o “LOOP da Perfeição”.

Seis estágios do Loop da Perfeição:

  1. Perfeição como uma expectativa
  2. Estresse e pressão entrando na tarefa; demora
  3. Performance abaixo do esperado
  4. No seu pé, nos pés dos outros
  5. Menos confiança em si mesmo e nos outros
  6. Deve fazer melhor na próxima vez

Esse padrão ocorre de forma inconsciente, repetida e rápida. Antes de saber, você já está nele. O objetivo de identificar este loop é:

  1. Tornar-se consciente do padrão improdutivo
  2. Entender as etapas que o causa e como influenciam o comportamento e performance.
  3. Saber o que mudar para conseguir resultados diferentes

Em Pure Genius, Dan Sullivan fala sobre as diferenças entre os ideais e os objetivos e a frequência com a qual nos avaliados com o ideal e sempre fracassamos. Ele usa como exemplo o horizonte: mesmo que possamos vê-lo, realmente não existe. Se buscássemos o horizonte, ele continuaria recuando e nunca o atingiríamos. Sullivan recomenda que nos perguntemos de onde viemos e avaliemos nosso progresso em alcançar nosso objetivo. Essa avaliação nos fará sentir melhor sobre o nosso progresso. Se o perfeccionismo não for diminuído, ele o empurrará para um Loop da Perfeição Infinita, que é como ser arremessado em movimentos rápidos, onde a força da água controla para onde vamos.

Sedução da Demora

SEDUÇÃORESULTADO
“Realmente prefiro planejar.”Preocupação improdutiva
“Tenho que me preparar com cuidado.”Evitar fazer algo
“Melhor descansar para me aprontar.” Adiar o esforço
“Se eu tivesse apenas um pouco mais de tempo, poderia…..”Mais preocupação, menos esforço

Pratique a auto-observação. 

  • Qual o raciocínio acima você usa mais?
  • Quão reais e possíveis são suas expectativas?
  • Qual porcentagem de tempo você fica no seu pé depois de uma performance?

Nadler, R. Rio de Janeiro: Alta Books, 2011.

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Você fica no seu pé ou fica do seu lado?

Por Jader Amaral

Muitas pessoas tem um sistema de avaliação rígido de mais ou apresenta uma falha. Raramente ficam satisfeitas quando são bem-sucedidas e são muito crítica com sua performance, mesmo que vençam e vençam muito e por um longo período. Isto pode tornar-se um padrão rígido. No passado, pode tê-las guiado para grandes sucessos, mas com o tempo torna-se um fardo. Elas tendem a tentar continuamente e, em geral, sentem que estão se torturando e ainda falham aos seus próprios olhos. Acreditam que é o único modo de se forçarem a alcançar sua melhor performance. É como se eles tivessem uma calculadora com defeito, mas não percebessem. Ela tem sempre um dígito a menos. A se avaliarem, a calculadora deveria mostrar 1.000, mas não percebem que seu sistema de avaliação é falho ou está quebrado.

Há três consequências inesperadas ao se ficar no pé de alguém, em vez de estar do seu lado:

  1. Nunca ficam satisfeitos com sua performance e sua autoconfiança é afetada;
  2. Como tudo parece ser menos do que eles tinham esperado, eles se sentem miseráveis, tensos e infelizes. Uma mistura de frustração, tristeza e sem direção;
  3. Inconscientemente, tratam os outros do mesmo modo como tratam a si mesmos – críticos demais, exigentes, negativos e nunca satisfeitos.

Algumas vezes necessitam uma linguagem forte para alertá-las para o grave impacto que esse tipo de padrão tem em sua performance final e bem-estar. Se você se reconhece no perfil citado, responda a uma pergunta simples: Qual a porcentagem do tempo você está no seu pé, em vez de estar do seu lado? Use uma escala de 1 a 100. Você pode dizer se você ou os outros tem um sistema de avaliação falho se depois de toda performance, você estabelece que deveria ter tido:

  1. Melhor esforço;
  2. Qualidade mais alta;
  3. Mais rapidez;

A manifestação desse tipo de atitude geralmente é sentir-se censurado por si mesmo por falhar em viver à altura de suas habilidades. É quase como tirar o chicote e começar a se bater. Você pode ainda dizer ou pensar: “Como pude ser tão estúpido? Quando finalmente aprenderei? O que há de errado comigo?” Mais, melhor, mais rápido, mais, melhor, mais rápido… torna-se um sistema automático de autoavaliação negativa.

O melhor modo de mudar de ficar no seu pé para ficar do seu lado é primeiro notar como você se comporta, então transformar a avaliação em um plano de aprendizagem e ação. A seguir, estão alguns exemplos de afirmações rápidas que o apoiarão a se redirecionar para ficar do seu lado.

CHICOTE DO “FICAR NO SEU PÉ”

  • Como pude ser tão mau?
  • Não sei mais do que isto?
  • Sou um idiota por fazer isto!
  • Por que não comecei isso mais cedo?
  • Eu poderia ter feito um trabalho muito melhor!
  • O que está errado comigo?
  • Eu deveria saber mais!
  • Fiquei cuidando dos interesses dos outros!

“DO SEU LADO” (frases que apoiam no redirecionamento do hábito)

  • Quais partes desta performance que foram bem?
  • O que não resultou do modo como eu queria?
  • O que exatamente não funcionou aqui?
  • Qual parte está sob minha influência?
  • Há algo que eu poderia ter feito diferente?
  • O que eu terei que fazer para aceitar esta performance e não me abater?
  • O que posso aprender com esta performance?
  • O que terei que melhorar na próxima vez?
  • Há alguma aprendizagem, treinamento ou ajuda que preciso para melhorar minha performance?
  • Qual será o meu próximo passo?
  • Como terei certeza de que permanecerei nos trilhos?
  • Quem pode me apoiar?
  • Prático uma vida com equilíbrio nas esferas do corpo, emocional, social, econômico e espiritual?
  • O que faz sentido para mim?

Observe a qualidade das afirmações acima e seu efeito em você. É importante reconhecer primeiro o que deu certo para estabelecer a devida perspectiva em sua avalição e diminuir o padrão “mais, melhor, mais rápido”.

Nadler, R. Rio de Janeiro: Alta Books, 2011.

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Caçando coelhos e batendo metas: o princípio básico da alta produtividade

Por Neemias Rosa

E se eu lhe disser que o segredo da alta performance e da excelência em produtividade se encontra nas remotas e selvagens montanhas da Rússia? Difícil de acreditar, certo? Afinal, sempre esperamos encontrar esta fórmula mágica em alguma teoria incrivelmente complexa, que chega até nós numa caixa dourada e traz consigo garantias infinitas de sucesso.  Porém, a receita é muito mais simples do que parece. Nas palavras dos habitantes da Cordilheira do Cáucaso, “se você perseguir dois coelhos ao mesmo tempo… não vai pegar nenhum dos dois”… ou seja, para ser produtivo e alcançar suas metas o que você precisa é de foco e objetividade. 

Segundo Keller e Papasan (2017), quando você quiser a melhor chance de obter êxito em qualquer projeto de sua vida, o caminho a seguir é sempre o mesmo: seja simples! Nesse contexto, “ser simples” significa ignorar todas as coisas que você poderia fazer, investindo sua energia no que você deve fazer. Significa reconhecer que nem tudo tem a mesma importância, aprendendo a identificar suas verdadeiras prioridades. É sintonizar de forma efetiva o que você faz com o que você quer, compreendendo que resultados extraordinários são diretamente determinados pelo nível de especificidade do seu foco. 

Como destaca Theml (2016), a vida moderna funciona num ritmo incrivelmente acelerado, fazendo com que o monstro do dia a dia engula todas aquelas promessas de virada de ano que nós juramos que iríamos cumprir. Na prática, nos tornamos prisioneiros de dias que não rendem praticamente nada e de anos que voam e passam cada vez mais depressa. Entramos em um círculo vicioso e às 23:59 do dia 31 de dezembro tiramos do bolso aquela longa lista de metas… e nos iludimos outra vez. 

Para evitar que isso aconteça, refine seu foco e tenha clareza sobre onde você quer chegar. Escolha um único objetivo e comece a andar de forma consistente nesta direção. Pergunte a si mesmo todos os dias: “qual é a única coisa que eu posso fazer neste exato momento que irá me aproximar do meu objetivo?”. Encontre a resposta e entre em ação. 

Para auxiliar neste processo, Keller e Papasan (2017:183) sugerem quatro estratégias básicas e bastante úteis quando aplicadas da maneira correta:

  1. Comece a dizer “não”: Lembre-se que quando você diz sim para alguma coisa, está dizendo não para o restante. Essa é a essência do comprometimento. Comece a negar outras demandas logo de cara, ou diga “agora, não” para eventuais distrações, a fim de que nada o impeça de focar na sua maior prioridade. Aprender a dizer não irá libertar você. 
  2. Aceite o caos: Reconheça que correr atrás do seu objetivo acaba fazendo com que determinadas coisas fiquem para trás. Esse tipo de caos é inevitável, por isso aprenda a lidar com ele. Quando alcançar o seu objetivo, você terá certeza de que fez a escolha certa. 
  3. Gerencie sua energia: Não sacrifique sua saúde tentando fazer milhares de coisas ao mesmo tempo. Seu corpo é uma máquina incrível, mas não vem com garantia. Você não pode trocá-lo e os reparos podem custar caro. 
  4. Tome as rédeas do seu ambiente: Certifique-se de que as pessoas ao seu redor e o ambiente físico que você freqüenta contribuem para que você alcance seu objetivo. Pessoas negativas e ambientes tóxicos afastam você do caminho. 

Ok, mas tudo isso significa que você deve focar em um único objetivo e abandonar todas as demais áreas da sua vida? Não. Porém, como você já sabe, é impossível caçar dois coelhos ao mesmo tempo. A escolha é exclusivamente sua… e a responsabilidade por realizar (ou não) os seus sonhos, também. 

Referências:

Keller, G; Papasan, J. A única coisa: o foco pode trazer resultados extraordinários para sua vida. Barueri, SP: Novo Século Editora, 2017. 

Theml, G. Produtividade para quem quer tempo: aprenda a produzir mais sem ter que trabalhar mais. São Paulo, SP: Editora Gente, 2016

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